MANUEL NUNES

 

Os pais de Manuel Nunes chamavam-se João Nunes e Domingas Rodrigues. Viveram no Louro, primeiro no lugar de Linhares, depois no de Ribela. O pai morreu em 1730, antes da mãe, que deve ter ido para casa duma das filhas pois não consta o seu assento de óbito no livro da freguesia.

 

Os irmãos


Não encontrámos o assento de baptismo de Manuel Nunes, mas encontrámos o de vários dos seus irmãos, talvez todos.

1.      Mariana nasceu em 1691, no lugar de Linhares; foi baptizada em 9 de Dezembro. Oficiou o Pe. Pedro Rodrigues[1]. Casou em 1731, aos 40 anos, com João Gonçalves, viúvo, de Santa Eulália de Arnoso; será a irmã preferida de Manuel Nunes.

2.      Lourença, a quem depois alteraram o nome para Maximiana, nasceu em 1696[2], no lugar de Linhares. Foi baptizada em 3 de Junho. Casou com Manuel Fernandes dos Reis, de Vilarinho das Cambas, em 1734[3], quando tinha 38 anos.

3.      Francisco nasceu em 1699, ainda em Linhares. Foi baptizado em 5 de Abril. Oficiou de novo o Pe. Pedro Rodrigues e foi padrinho o abade local, Francisco Pereira da Silva.

4.      Maria nasceu em 2 de Março de 1705, no lugar da Ribela, e foi baptizada em 8. Pode ter morrido em criança ou jovem já que não conhecemos mais informação sobre ela. Como Linhares e Ribela são dois lugares diferentes, os seus pais tinham mudado a residência.

5.      Jerónimo nasceu em 1707, no lugar de Ribela, em 17 de Agosto, e foi baptizado em 21. Criou família em Santa Eulália de Arnoso.

6.      Remígio nasceu em 1 de Outubro de 1711 e foi baptizado no dia 4. Estudava para sacerdote em 1732, mas, embora se tenha ordenado, não encontrámos a sua inquirição de genere. Veio a ser o testamenteiro de Manuel Nunes.

De modo mais ou menos directo, Manuel Nunes menciona no testamento todos os irmãos.

 

O que sabemos e não sabemos de Manuel Nunes


O plebeu Manuel Nunes foi da maior importância para a família dos Carneiros da Grã-Magriço: trouxe-lhes riqueza e esta projectou-os para um nível social nunca antes conhecido; mas trouxe-lhes ainda forte impulso renovador e um critério rígido (um pouco rude com certeza) de exigência moral.

Desconhecem-se contudo informações básicas a seu respeito: não sabemos quando nasceu e por isso também não temos ideia sequer aproximada do ano em que emigrou para o Brasil (em 1738 já tinha regressado) nem a idade com que casou.

A madrinha de Manuel Nunes chamava-se Andresa Carneiro e era filha bastarda de um Carneiro de Sá (a mãe dela era da Azurara). Isto é, seria parenta da mãe de D. Benta.

Manuel Nunes sabia ler.

A grande fortuna que adquiriu não pode ter sido obtida a partir de algo como um salário, antes na base dum negócio rendoso ligado porventura à exploração do ouro em Minas Gerais. Mas não se pode excluir a hipótese de ter participado no odioso tráfico negreiro.

De regresso a Portugal, ele movimentava-se muito bem entre a burguesia endinheirada do tempo (mas sem desprezar a proximidade da família e dos humildes em geral). Não era um reformado, mas um homem activo: no testamento dá a entender que viajava bastante. Como não eram viagens turísticas, seriam principalmente de negócios.

Homem de sucesso, confiava na sua inspiração, nas ideias que o norteavam.

Em 1741, quando casou com D. Benta, a sua irmã Mariana fazia 50 anos. Ele seria acaso um pouco mais novo. Se tivesse ido para o Brasil com 14, podia ter lá estado uns três decénios, necessários para adquirir a vultuosa fortuna que possuiu.

Como já foi dito, trouxe três escravos – e não deveria ser para os pôr a trabalhar no campo, antes para se estabelecer com largueza, em boa casa, com cavalos, carruagem, etc.

É de crer que ele se tenha relacionado primeiramente com os Carneiros de Sá, da Casa da Lamela, em Outiz (não conhecemos esta casa, mas existiu), donde era a mãe de D. Benta. E terá sido por essa via que ele veio ter a Balasar. O Pe. Remígio Nunes assistiu, em 1747, o moribundo João Carneiro de Sá, da mesma Casa da Lamela.

A adolescente D. Benta Carneiro da Grã-Magriço, órfã de pai, depois herdeira, não deveria poder aspirar a um casamento bem ao seu gosto. Possivelmente teve um pequeno casamento em termos de afecto, mas grande em termos de espalhafato.

Manuel Nunes Rodrigues nunca usou os apelidos Louro Nobre que alguns lhe atribuem e o mesmo acontecendo com os seus descendentes, quando o mencionam. Tais apelidos não ocorrem em nenhum dos documentos que vimos (e não foram poucos).



[1] Parente e benfeitor do Pe. Valentim Rodrigues da Costa, de Vila Pouca, em Balasar.

[2] Medeiam cinco anos entre o nascimento da Mariana e o da Maximiana. Terá Manuel Nunes nascido nesse intervalo?

[3] Este casal teve pelo menos duas filhas, a Rosa Maria, nascida em 21 de Outubro de 1735, de que foi padrinho o Pe. Remígio Nunes, e a Maria Esperança, nascida a 11 de Fevereiro de 1738, de que foi padrinho Manuel Nunes.

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