MANUEL NUNES E O REITOR ANTÓNIO DA SILVA E SOUSA

 

É possível que o reitor António da Silva e Sousa tivesse colocado justas reservas ao casamento de Manuel Nunes com a futura D. Benta. Sabemos já o que se passou com a mãe dela. Dos cinco filhos de Manuel Nunes, também já sabemos que ele só ministrou o baptismo a dois.

Em 1755, no Roteiro dos Culpados, o visitador fez registar esta informação nada edificante sobre Manuel Nunes e que implicava dura repreensão:

Manuel Nunes Rodrigues, casado, brasileiro, por armar arruídos na igreja e descompor o reitor dela e chamar nomes injuriosos a várias pessoas, causando motins na mesma.

Este desacato pode ter também relação com um problema grave a que o reitor dera origem no ano anterior em S. Simão da Junqueira e que envolvia uma jovem solteira presumidamente violentada. O reitor estava suspenso desde de Março de 1754 e Manuel Nunes terá aproveitado o momento para o humilhar em público.

No testamento, Manuel Nunes, referindo vários outros sacerdotes, nunca nomeia o pároco.

Entre os muitos legados que deixou a devoções de várias igrejas, não refere sequer a Igreja Paroquial de Balasar.

Manuel Nunes, já se disse, foi padrinho dum filho de Manuel Gonçalves, o soldado, do Casal. Ora este balasarense ocorre no Roteiro dos Culpados de Balasar oito vezes: em 1746, quando é solteiro, do lugar do Casal, e anda em ódio e arma bulhas; em 1749, já casado e soldado, bate na mãe; em 1750, casado e soldado, é descomposto, mal falante e trata mal a mulher e a mãe; em 1760, é soldado, é rebelde em ouvir missa nos dias santos, mal falante, injuria os vizinhos e toma-se do vinho; em 1762, é casado e soldado e toma-se do vinho; em 1765, é casado e soldado, toma-se do vinho, falta à missa e fala mal com os vizinhos; em 1768, é casado, desordenado em beber, com alienação do juízo (já teria deixado a vida militar); em 1777, é ébrio e diz palavras desonestas. Se não passou pelo aljube, foi pelo menos ameaçado com ele.

Manuel Gonçalves tinha um criado que faleceu em 27 de Março de 1753, sem sacramentos. Foi então “condenado por não dar parte para sacramentar”.

O relacionamento de Manuel Nunes com um balasarense tão rebelde parece ser também um desafio ao reitor. Este não mencionou os Carneiros balasarenses na Memória Paroquial.

 

 Frontão do portal fronho da Quinta de D. Benta e respectivo brasão picado.

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