MANUEL CARNEIRO DA GRÃ-MAGRIÇO


Manuel Carneiro da Grã-Magriço, o herdeiro de Manuel Nunes e D. Benta, nasceu em 1747, como já foi dito, casou em 26 de Julho de 1767 com D. Maria José Lopes Correia da Fonseca e Faria, filha de João Lopes da Fonseca, e faleceu na Póvoa de Varzim, na sua Casa dos Carneiros, a 9 de Março de 1795, com 48 anos. 

 

Magnífico brasão da Casa dos Carneiros, lá colocado naturalmente à ordem de Manuel Carneiro da Grã-Magriço.

 

Pelo casamento, ficou senhor do Morgado de Rio Tinto, em Esposende, além, naturalmente, de possuir os bens tradicionais da sua família balasarense e ao menos parte do que lhe acrescentara o pai. Ascendeu a fidalgo cavaleiro da Casa Real.

Reconstruiu a casa da Póvoa de Varzim, que era de sua mulher.

Foi juiz ordinário da Câmara Municipal da Póvoa e vereador. Foi também juiz da Confraria do Santíssimo.

 

Na Câmara Municipal

Manuel Carneiro da Grã-Magriço entrou para a administração da Póvoa como juiz ordinário no início de 1780[1], quando tinha 33 anos. Em Dezembro, porém, abandonou a câmara, à qual só regressou bastante mais tarde como vereador.

O trabalho do juiz ordinário devia-se desenvolver a dois níveis, o administrativo e o judicial. Sobre este, não possuímos qualquer informação.

Depois da tomada de posse, em 1 de Janeiro, a câmara reuniu em 3, 5, 8, 12 e 29 de Janeiro, em 1 de Abril (a acta foi só começada), em 5 de Abril, 2 e 10 de Maio, 28 de Junho, 21 e 31 de Agosto, 23 de Outubro e 22 de Dezembro.

É possível que, por falta de experiência, ele se não saísse bem neste ano de 1780.

 

Em 1 de Abril escreveu o termo de abertura do novo livro das actas do Senado:

Livro que há-de servir para as vereações do Senado da Câmara desta Vila, que todo vai numerado e rubricado com o meu sobrenome de – Carn.o Magriço – e no fim com seu encerramento. Vila da Póvoa de Varzim, 1 de Abril de 1780 anos.

Manuel Carneiro da Grã-Magriço.


Autógrafo de Manuel Carneiro da Grã-Magriço.

 

Manuel Carneiro da Grã-Magriço voltará à câmara como vereador em 1787, 1789, 1791 a 1794. Em Abril deste último ano, abandona o cargo.

Em 6 de Abril de 1793, deu-se juramento aos almotacés “nas moradas de Manuel Carneiro da Grã-Magriço, Juiz-vereador mais velho que de presente está servindo na ausência do Doutor Juiz de Fora desta vila”.

A decisão de construir o novo edifício camarário, cujo projecto data de 1790-1791, vem do tempo deste vereador. Aliás, a construção da residência apalaçada de Manuel Carneiro da Grã-Magriço deve ter tido algum impacto nos projectos urbanísticos posteriores.

Em 1792, era juiz da Confraria do Santíssimo na Póvoa de Varzim[2].

 

Os filhos

Manuel Carneiro da Grã-Magriço teve ao menos três filhos:

1. Teresa, nascida em 20 de Maio de 1768 e que deve ter falecido em criança ou em jovem. Foram seus padrinhos o Pe. Remígio Nunes Rodrigues e D. Teresa Mariana, de Vila do Conde.

2. José, nascido em 9 de Junho de 1770 e que foi o herdeiro; os seus padrinhos foram o Rev. Baltasar Lopes d’Afonseca, de Rio Tinto (certamente familiar da mãe) e madrinha a avó D. Benta.

3. Maria, em adulta Maria Vitória, nascida em 18 de Dezembro de 1772; foi madrinha D. Maria Vitória, de Mendonça, de Vila do Conde. O assento não indica o padrinho, que deve ter sido o mesmo Pe. Baltasar Lopes d’Afonseca.

As duas donas madrinhas das meninas não seriam com certeza as tias, como se poderia esperar. Como quer que seja, sendo de Vila do Conde, sugerem que a família mantinha laços à vila da foz do Ave.



 Frente da casa construída por Manuel Carneiro da Grã-Magriço na Póvoa de Varzim.



[1] O concelho da Póvoa era então constituído só por uma freguesia.

[2] No livro das actas da câmara consta um acórdão de 5 de Dezembro de 1792 pelo qual “se mandou dar à Confraria do Santíssimo desta vila, para ajuda de um pálio novo para as funções solenes, a quantia de 50.000 réis visto este Senado se estar servindo e sempre se ter servido nas suas funções com os pálios da mesma confraria”. É nele que se diz que “sendo presente o Juiz actual da Confraria do Santíssimo desta vila, que é o dito Manuel Carneiro da Grã-Magriço, disse e requereu a ele, Juiz de Fora, e mais vereadores que, pela grande necessidade que tinha a dita Confraria de um pálio rico para as funções da mesma Confraria, o tinha determinado fazer e porque a mesma Confraria não era rica e este Senado sempre se tem servido e estava servindo nas suas funções com o pálio da mesma Confraria, pelo não ter, lhe dessem uma ajuda de custo para a factura do mesmo pálio”.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

A CAPELA DE NOSSA SENHORA DA LAPA

MANUEL NUNES

PAIS E IRMÃOS DE D. BENTA. O ESTRANHO CASAMENTO