A QUINTA DE D. BENTA
A Quinta de D. Benta
no Tombo da Comenda de 1830-1832
Os funcionários
barcelenses que elaboraram o Tombo da Comenda de 1830-1832 encantaram-se
com a “Quinta de Dona Benta” e “mediram-na” assim em 6 de Setembro de 1830:
Uma quinta murada sobre si, com
umas grandes e nobres casas-torres, com sua capela unida às mesmas casas, com a
frente para o lado do poente, tendo as mesmas casas sua entrada por um grande
portal, com suas armas por cima do mesmo portal, e dentro tem sua eira, casas
térreas e terras lavradias, com árvores de fruto e sem ele e também terra de
mato com pinheiros e carvalhos, e, sendo tudo unido juntamente, tem de
comprido, pelo lado nascente e sul em voltas assim como vai o rio Este, com
quem parte, quatrocentas e nove varas.
Pelo lado do poente, medido por
fora das paredes e muro da mesma quinta, à face das casas e capela, tem
duzentas e sessenta e cinco varas, partindo com a estrada e caminho que vai
para a igreja e com terra reguenga da Sereníssima Casa de Bragança que possui
este mesmo caseiro enfiteuta.
E pelo nascente, continuando a
medição em voltas e cotovelos, como vai o muro da quinta, tem duzentas e
oitenta e sete varas e meia, partindo com terra reguenga da dita Sereníssima Casa,
que possui Manuel José António, do lugar do Telo.
Levará tudo de semeadura cem
alqueires de centeio, ficando compreendidas nesta medição outras leiras deste
mesmo casal que antigamente andavam medidas separadamente.
Possui a cabeça enfiteuta.
No seu opúsculo
O Culto Mariano no Arciprestado de Vila
do Conde e Póvoa de Varzim o Mons. Manuel Amorim, por sua vez, incluiu esta
nota sobre a casa:
Quase em frente ao cruzeiro
paroquial e ao edifício escolar, já nas proximidades do rio Este, encontra-se
uma casa sobradada com o seu janelame corrido, idêntica a tantas outras casas
agrícolas do Minho se não fosse a porta nobre encimada por um brasão de armas.
Foram picadas as armas mas sabe-se que ostentavam no escudo as insígnias dos
Carneiros da Grã-Magriço, senhores do solar da Póvoa de Varzim. Em 1758 habitavam
a casa Manuel Nunes Rodrigues do Louro Nobre, casado com D. Benta Carneiro da
Grã, senhora que deixou fama na freguesia pelas suas benemerências. Deve-se a
este casal a construção da capela em honra de Nossa Senhora da Lapa, conforme
se lê na sepultura rasa lá existente.
Os antepassados
próximos de D. Benta faziam casamentos para longe, com gente da sua igualha,
nos baptizados, convidavam para padrinhos pessoas especialmente distintas, Manuel
Carneiro da Grã foi juiz da Confraria do Santíssimo na Vila de Rates. Natural é
que já possuíssem uma casa que se ajustasse a tal estatuto.
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