OS BAPTISMOS DOS FILHOS DE D. BENTA E MANUEL NUNES

 

D. Benta e Manuel Nunes tiveram cinco filhos: a Joana Benta, nascida a 24 de Abril de 1742; a Maria Josefa, nascida a 11 de Junho de 1744; o Manuel, o herdeiro, nascido a 14 de Fevereiro de 1747; a Francisca (depois chamada Francisca Violanta), nascida a 17 de Julho de 1749; e a Teresa, nascida a 22 de Setembro de 1752.

É possível que os baptizados, ao contrário de hoje, só dessem lugar a um pequeno encontro festivo. Ainda assim paga a pena ver quem comparecia na cerimónia da igreja pois isso proporciona indícios sobre as relações sociais do casal.

Copiam-se os assentos de baptismo dos cinco filhos:

Joana Benta, filha legítima de Manuel Nunes e de sua mulher, Benta Carneira Magriça, do lugar da Igreja, desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, nasceu aos vinte e quatro dias do mês de Abril do ano de mil setecentos e quarenta e dois e foi baptizada pelo Rev. Abade Manuel Vieira Mendes, de Gondifelos, com minha licença, aos três dias do mês de Maio do mesmo ano. Foram padrinhos Domingos Fernandes Rocha, morador em Sacavém, e Dona Joana de Jesus Rocha, mulher de João Gõ (?) de Fróis Rocha Mendes, moradores na Rua das Mudas, todos da cidade de Lisboa, estando por testemunhas Manuel da Costa e António da Costa e o Rev. João da Costa, todos da aldeia de Escariz desta mesma freguesia. E por assim ser verdade, fiz este termo, que assinei. Era ut supra.

O Reitor António da Silva e Sousa.

O assento não nomeia ninguém das famílias do pai nem da mãe. O reitor estropiou o nome de D. Benta, mas recorde-se que então não havia bilhete de identidade e que o assento de baptismo, o único existente, só fixava o nome próprio.

A presença do abade Manuel Vieira Mendes pode ter a ver com a sabida denúncia que o reitor de Balasar fazia de D. Maria Carneiro de Sá (fê-la ainda nesse ano de 1742). Mas o Pe. João da Costa, de Escariz, que já baptizara D. Benta, esteve presente. Devia ser amigo da família de longa data.

A vinda dos dois lisboetas deve relacionar-se com negócios recentes ou antigos de Manuel Nunes, que possuiu alguns bens em Sacavém.

Os outros dois homens de Escariz eram familiares do Pe. João da Costa e tios ou primos de Manuel da Costa Vale. Dez anos depois, D. Benta irá ser madrinha duma filha de Manuel da Costa, de Escariz (em 1746, isto é, quatro anos depois de nascer Joana Benta, foi também madrinha duma menina nascida em Além, a quem chamaram Benta).

Este cuidado em fazer valer o seu nome (na filha, na afilhada e ainda numa neta) poderá indiciar alguma coisa sobre o carácter voluntarioso da esposa de Manuel Nunes, que a levará mais tarde a tomar decisões de grande responsabilidade e a fazê-la mulher muito respeitada.

Joana Benta deve ter morrido jovem, antes do pai: tendo-a ele referido em 1756, no testamento, já não a nomeia em 1759, no codicilo; mas não vimos o seu assento de óbito. Felgueiras Gaio ignora-a no Nobiliário das Famílias de Portugal.

Maria Josefa, filha legítima de Manuel Nunes e de sua mulher Benta Carneira Magriça, do lugar da Ponte, nasceu aos onze dias do mês de Junho do ano de mil setecentos e quarenta e quatro e foi baptizada por mim, António da Silva e Sousa, Reitor desta mesma igreja de Santa Eulália de Balasar, aos quinze dias do mesmo mês e ano. Foi padrinho o Rev. Domingos Fernandes Varziela, vigário da freguesia de Gemunde, estando por testemunhas João Manuel Furtado, do Lousadelo, Manuel Carneiro da Grã-Magriço, da Ponte, e João Domingues, de Escariz, todos desta freguesia. E por assim ser verdade fiz este termo, que assinei. Era ut supra.

O Reitor António da Silva e Sousa.

João Manuel Furtado.

João Domingues.

Desta vez oficiou o pároco, o que ainda voltará a acontecer. O padrinho, o Rev. Domingos Fernandes Varziela, era primo de Manuel Nunes. Esteve presente o bisavô da baptizada, mas não o Pe. João da Costa.

Manuel, filho legítimo de Manuel Nunes e de sua mulher Benta Carneira Magriça, do lugar da Ponte, desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, nasceu aos catorze dias do mês de Fevereiro do ano de mil setecentos e quarenta e sete e foi baptizada de minha licença pelo Rev. André Lopes de Afonseca, abade de Negreiros, aos dezassete dias do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o mesmo Rev. André Lopes de Afonseca, abade de Negreiros, e Antónia Teresa, filha de Cristóvão de Babo da Silva Machado e Bulhões, da freguesia de Esmeriz, estando por testemunhas o Pe. João da Costa, coadjutor desta freguesia, e Manuel António, do Telo, e Domingos André, do Casal, desta mesma freguesia. E por assim ser verdade fiz este termo, que assinei. Era ut supra.

O Reitor António da Silva e Sousa.

Original que apareça aqui a Teresa Antónia, prima de D. Benta, de Esmeriz. O Pe. João da Costa voltou e são mencionados homens de mais dois lugares da freguesia.

O assento não contém as usuais assinaturas dos padrinhos e testemunhas, só a do reitor.

Francisca, filha legítima de Manuel Nunes e de sua mulher Benta Carneira Magriça, do lugar da Ponte, desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, nasceu aos dezassete dias do mês de Julho do ano de mil setecentos e quarenta e nove e foi baptizada com minha licença pelo Pe. Eusébio António Soares, desta freguesia, aos vinte e um dias do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o capitão António da Costa Soares, da aldeia do Casal, assistente na cidade do Porto, e Francisca Antónia de Jesus (ilegível), filha do Sargento-Mor Manuel Gonçalves Serra, da Vila de Rates, assistente nas Minas Gerais, estando por testemunhas Inácio Domingues, do Casal, o Pe. João da Costa, coadjutor desta freguesia, e o Rev. Padre André Lopes de Afonseca, abade de Negreiros. E por assim ser verdade fiz este termo, que assinei. Era ut supra.

O Reitor António da Silva e Sousa.

Inácio Domingues.

(ilegível)

Em adulta, hão-de chamar Francisca Violanta a esta menina. Das três irmãs foi a única que casou.

Oficiou o Pe. Eusébio António Soares, irmão do sargento-mor que levantara a capela da Senhora da Piedade e que foi familiar da Inquisição; há-de reaparecer. Curiosa a presença de Francisca Antónia de Jesus, “filha do Sargento-Mor Manuel Gonçalves Serra, da Vila de Rates, assistente nas Minas Gerais”. Manuel Nunes poderia ter conhecido o pai dela lá no Brasil.

Reaparecem os padres André Lopes de Afonseca, abade de Negreiros, e o coadjutor de Balasar, Pe. João da Costa.

Teresa, filha legítima de Manuel Nunes e de sua mulher Benta Carneira Magriça, do lugar da Ponte, nasceu aos vinte e dois dias do mês de Setembro do ano de mil setecentos e cinquenta e dois e foi baptizada por mim, António da Silva e Sousa, Reitor desta freguesia de Santa Eulália de Balasar, aos vinte e sete dias do mesmo mês e ano. Foram padrinhos o Capitão-Mor Manuel da Silva Ferreira, da freguesia de Santa Lucrécia da Ponte do Louro, e Teresa Maria de Jesus, solteira, filha que ficou de Luís Francisco, da Vila de Rates, do lugar da Fonte, estando por testemunhas Manuel Carneiro da Grã-Magriço, do lugar da Ponte, e Manuel Fernandes Serra, da Vila de Rates, e José, criado do Rev. Reitor. E por assim ser verdade fiz este termo, que assinei. Era ut supra.

O Reitor António da Silva e Sousa.

M.el + Carneiro

M.el + Gonçalves (?) Serra

José + solteiro

O reitor de Balasar voltou a oficiar o baptismo. Manuel Nunes convidou um amigo do Louro de certo destaque social, o Capitão-Mor Manuel da Silva Ferreira. Voltou a vir gente de Rates.

Manuel Carneiro da Grã-Magriço, que talvez se não entendesse bem com o reitor que lhe denunciara a nora, não assina.

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